quarta-feira, 30 de novembro de 2016

2015-2016: anni mirabiles

Por ter formulado—de maneira razoável—muitas teses e argumentos filosóficos durante um período de um ano, que vai da metade de 2015 até metade de 2016, penso que esse período envolvendo dois anos distintos pode ser qualificado, até o momento, como meus anni mirabiles—há um pouco de brincadeira e um pouco de seriedade no que digo. Além da epistemologia da educação, da teoria do conhecimento e da metodologia filosófica que desenvolvi durante este período, elaborei também outras teses às quais apresentarei aqui com brevidade.

TRABALHO COLABORATIVO: EPISTEMOLOGIA APLICADA AO JORNALISMO

Em conjunto com o Jean Senhorinho—formado em Comunicação Social pela UFSM—, desenvolvi uma aplicação da epistemologia ao jornalismo, o que nos levou a uma proposta de esclarecimento do conceito de ‘conhecimento jornalístico’ a partir da teoria do conhecimento desenvolvida por mim e ao desdobramento de uma ética no jornalismo a partir das virtudes intelectuais.

IDEIAS FRUTOS DA MINHA PARTICIPAÇÃO NO GERMINA


EDUCAÇÃO ANIMAL

Na obra Zoopolis, o casal Sue Donaldson e Will Kymlicka argumentam que nós deveríamos estender a cidadania aos animais domésticos, tratando-os como co-cidadãos de nossas comunidades políticas—o argumento, parece-me, tem duas etapas, e eu fiz uma reconstrução dele todo em modus ponens. Tendo isto em vista, Donaldson e Kymlicka acabam por oferecer ferramentas para pensarmos que os animais domésticos têm direito à educação, embora os filósofos não toquem neste assunto. Minha proposta original é argumentar que, apesar das estranhezas que uma educação voltada aos animais domésticos possa suscitar, esta ideia pode ser levada a sério se tomarmos tal educação como sendo voltada às habilidades sociais dos animais domésticos—e.g., comunicação, confiança e amizade. Argumento que tal educação traria benefícios não só aos animais domésticos, como também aos seres humanos, tanto a nível coletivo quanto individual.

O VALOR E PROPÓSITO DO CONCEITO DE ‘CONHECIMENTO’

Inspirado na tese central de Citizenship and the Pursuit of the Worthy Life, de David Thunder, e na epistemologia proposital [purposeful epistemology], desenvolvi uma tese acerca do valor e propósito do nosso conceito de ‘conhecimento’, de acordo com a qual o conceito de ‘conhecimento’ é (a) um instrumento essencial na organização e negociação de nossa interdependência informacional e operacional e (b) um veículo indispensável no ensino e aprendizado das competências da vida intelectual—e.g., aptidões técnicas e virtudes intelectuais. A estratégia argumentativa que adoto para sustentar esta tese é fundamentalmente indutiva—a partir de uma série de situações ordinárias, induzo o(a) interlocutor(a) a inferir duas generalizações acerca do valor e do propósito do conceito de ‘conhecimento’. Trata-se, com efeito, de uma aplicação da metodologia filosófica que desenvolvi nesse período.

O ARGUMENTO MORAL EM FAVOR DA DEMOCRACIA (CONSTITUCIONAL)

Outras duas ideias que desenvolvi nesse período, mas que ainda estão truncadas, inserem-se no campo da filosofia política. A primeira delas, é um argumento moral em favor da democracia (liberal), de acordo com o qual a democracia é a melhor forma de governo inventada pelos humanos porque é a forma de governo que melhor suporta relações de cidadania—i.e., que melhor suporta um modo específico de organização das nossas interações sociais que é acompanhado de um conjunto de valores que inclui, dentre outros, autodeterminação, igualdade, cooperação, participação e consenso.

VARIEDADES DE LIBERALISMO POLÍTICO

A segunda delas, envolve uma tese acerca das características centrais do liberalismo que o toma como uma tradição de pensamento caracterizada por um ceticismo relativo ao Estado e um rol de valores que regula tal ceticismo. Minha aposta é a de que as diferentes maneiras com que os(as) teóricos(as) desta tradição de pensamento interpretam estes valores e as diferentes gradações que este ceticismo admite é o que explica as variedades de liberalismo que nós podemos encontrar ao longo desta tradição.

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